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Growth não é só mídia: aquisição é apenas o começo

Foto do escritor: Davi Frate
Davi Frate
14 de out.
7 min de leitura

Por Davi Frate, CEO e cofundador da Caaqui


Já passou da hora de pararmos de tratar Growth como sinônimo de mídia de performance. Sim, aquisição importa, e muito. Mas crescimento sustentável exige que aquisição, produto, CRM e dados trabalhem para melhorar conversão, retenção e monetização.

Tem uma coisa que me incomoda há algum tempo no mercado brasileiro: apesar de tanto conteúdo de qualidade sobre Growth, ainda confundimos uma disciplina de crescimento com a gestão de campanhas.


Em muitas empresas, quando alguém fala em Growth, poucos minutos depois a conversa já está em Google Ads, Meta Ads, CAC, CPA, ROAS e orçamento de mídia.


Não há nada de errado com esses assuntos. Performance é fundamental. Aquisição é fundamental.


O problema começa quando Growth termina ali.


Se o papel de um time é somente comprar mídia, otimizar campanhas e reduzir CPA, talvez tenhamos criado um excelente time de Performance e simplesmente colocado “Growth” na porta.


Para mim, a discussão vai além disso. Growth deveria responder a uma pergunta bem mais difícil:


Como esse negócio cresce de maneira sustentável, eficiente e rentável?


Parece papo de gestão? É também. E essa pergunta dificilmente será respondida olhando apenas para aquisição.


Growth como sistema de crescimento


Aquisição é uma parte do sistema, não o sistema inteiro.


Uma das abordagens de Growth que mais fazem sentido para mim vem menos de um cargo e mais de um modelo de gestão.


A Reforge trata aquisição, retenção e engajamento, e monetização como componentes conectados do crescimento. Também organiza essa discussão em torno de produto, processo e time, destacando a necessidade de integrar competências de marketing, produto, engenharia, dados e vendas.


Isso muda bastante a conversa: Growth deixa de ser confundido com um canal e passa a ser entendido como um sistema de crescimento.


Na Caaqui, uma forma de organizar esse raciocínio é olhar para oito frentes conectadas:


Aquisição, ativação, conversão, retenção, recorrência, monetização, reativação e indicação.


Gráfico das oito frentes de growth, da aquisição à indicação, mostrando como o valor do cliente cresce depois da aquisição
Ilustração do que acontece depois da aquisição, por caaqui.

Não estou propondo uma nova fórmula matemática do Growth. É um modelo mental, não uma sequência obrigatória.

A monetização pode começar na primeira compra. A indicação pode trazer novos clientes antes de qualquer ação de reativação. E, dependendo do negócio, a ativação — o momento em que o cliente percebe o primeiro valor — pode acontecer antes ou depois da conversão em uma compra.


A ideia é simples: trazer mais pessoas para a entrada da jornada não resolve automaticamente os problemas que elas encontram depois.


É aí que começa a diferença entre crescer e simplesmente comprar mais tráfego.


O famoso balde furado


Vamos imaginar um e-commerce investindo pesado em aquisição. O CAC, custo de aquisição de clientes, caiu, o tráfego aumentou e as primeiras compras estão crescendo.


Na reunião de segunda-feira, provavelmente teremos alguns sorrisos espalhados pela mesa.


Só que, neste exemplo hipotético, há outros sinais:


  • 70% dos novos clientes não voltaram a comprar nos primeiros 90 dias.

  • A comunicação de CRM é quase exclusivamente promocional.

  • A experiência pós-compra oferece poucos motivos para retornar.

  • Ninguém acompanha o valor dos clientes por coorte — grupos que fizeram a primeira compra no mesmo período.


Esse percentual, sozinho, não prova um problema de retenção. É preciso considerar o ciclo de recompra da categoria e comparar grupos com o mesmo tempo de acompanhamento.


Ainda assim, diante desses sinais, aumentar o orçamento em 20% não deveria ser uma decisão automática.


Antes, precisamos entender: a primeira compra já paga a aquisição? Qual margem esses clientes geram? Em quanto tempo o investimento retorna? O que impede a segunda compra?


Colocar mais água em um balde furado pode aumentar o volume sem resolver a perda de valor.


Melhorar a retenção pode elevar o valor do cliente ao longo do tempo, o LTV, e ampliar a capacidade de investir em aquisição. Mas essa relação depende da margem gerada, do custo das ações de retenção e do prazo de retorno. Recompra sustentada por descontos que consomem a margem não garante crescimento rentável.


Nos aplicativos, o raciocínio também vale. A Adjust destaca que uma estratégia de aquisição precisa ir além das instalações e considerar engajamento, retenção e monetização dos usuários.


Por isso eu gosto de uma frase simples:


“Comprar mais mídia não conserta um funil quebrado.”

Isso não significa interromper aquisição até que tudo esteja perfeito. Significa decidir onde o próximo investimento tem maior potencial de gerar retorno.


Growth deveria procurar o gargalo


Talvez essa seja a principal mudança de mentalidade que estou defendendo:


Growth precisa identificar o que mais limita o crescimento naquele momento e testar como melhorar.


Sintomas comuns e onde investigar o gargalo


Veja alguns pontos de partida:


Cenário ou sintoma

Hipótese de gargalo

Onde investigar

Muito tráfego e pouca compra

Qualidade do tráfego ou conversão

Segmentação, oferta, preço, experiência e checkout

Muitas instalações e pouca ativação

Aquisição desalinhada ou onboarding

Promessa do anúncio, primeiro valor, fricções e comunicação

Boa primeira compra e pouca segunda compra

Retenção ou ciclo de recompra

Categoria, produto, pós-compra e CRM

Boa retenção e baixo valor por cliente

Monetização

Frequência, ticket, margem, cross-sell e upsell

Muitos leads e baixa qualificação

Aquisição ou critérios de qualificação

Público, oferta, formulário, dados e alinhamento com vendas

CAC, retenção e LTV favoráveis

Possibilidade de ampliar aquisição

Custo dos clientes adicionais, payback, saturação e capacidade operacional


Essas são hipóteses, não diagnósticos fechados. Antes de decidir, vale verificar a qualidade da mensuração e separar os resultados por canal, segmento e coorte. Uma média saudável pode esconder grupos que dão prejuízo.


Na prática, a dificuldade muitas vezes está na divisão de responsabilidades. Mídia responde por aquisição, produto pelas funcionalidades, CRM pelas campanhas e analytics pelos dashboards. Alguém precisa conectar essas entregas ao resultado do negócio.


É exatamente nesse espaço que acredito que Growth deve atuar.


Se a hipótese é que o pós-compra limita a segunda compra, por exemplo, o próximo passo não é simplesmente disparar mais mensagens. É definir qual comportamento queremos mudar, testar uma intervenção e comparar o resultado com um grupo equivalente que não a recebeu, quando viável.


Acompanhar recompra junto com margem ajuda a entender se houve ganho econômico ou apenas antecipação de pedidos com desconto.


O gargalo vira uma hipótese. A hipótese vira um experimento. E o resultado orienta a próxima decisão.


Growth é menos departamento e mais disciplina


Uma empresa pode colocar Growth dentro de Marketing, dentro de Produto, criar uma unidade independente ou trabalhar com squads.


Para mim, o nome da caixa no organograma importa menos do que outra pergunta:


Sobre quais alavancas esse time consegue realmente atuar?


Se identificarmos que o maior problema está no onboarding, mas o time de Growth não consegue influenciar produto, temos um problema.


Se descobrirmos que a segunda compra está abaixo do potencial, mas aquisição e CRM têm metas desconectadas, temos outro.


Se encontrarmos uma oportunidade de personalização, mas dados, tecnologia e CRM não conseguem trabalhar juntos, temos mais uma apresentação bonita esperando para acontecer.


Na discussão sobre personalização, a McKinsey reforça a necessidade de equipes multifuncionais dedicadas a segmentos ou jornadas, com colaboração entre marketing, tecnologia, analytics e produto.


Essa integração precisa aparecer na operação: uma meta de negócio compartilhada, prioridades claras e responsáveis com capacidade de executar mudanças. Reunir as áreas para apresentar indicadores não basta.


O cliente não está nem aí para o seu organograma. Ele simplesmente vive uma experiência.


Antes de aumentar o orçamento, escolha o problema


Na próxima reunião de Growth, vale colocar uma pergunta antes da discussão sobre canais e campanhas:


Qual é o principal gargalo da nossa jornada hoje, e que evidência sustenta essa escolha?


Escolha um problema, defina um experimento, uma métrica de sucesso, um responsável e um prazo de avaliação. Envolva as áreas necessárias para agir sobre ele.


Comprar mídia pode ser a decisão certa. O trabalho de Growth é entender quando ela é a prioridade — e quando o crescimento depende do que acontece depois.


Perguntas frequentes sobre growth e performance


Qual é a diferença entre growth e performance?


Performance cuida da compra e da otimização de mídia, com foco em indicadores como CAC, CPA e ROAS. Growth responde a uma pergunta mais ampla: como o negócio cresce de forma sustentável, eficiente e rentável. Para isso, olha a aquisição junto com ativação, retenção, monetização e indicação, como partes de um mesmo sistema.


Por que aumentar o investimento em mídia nem sempre gera crescimento?


Porque mais tráfego não resolve o que acontece depois da aquisição. Se os novos clientes não voltam a comprar, mais mídia aumenta o volume sem resolver a perda de valor, como colocar mais água em um balde furado. Antes de ampliar o orçamento, vale saber se a primeira compra paga a aquisição, qual margem os clientes geram e o que impede a segunda compra.


O que é um gargalo de crescimento?


É a etapa da jornada que mais limita o resultado naquele momento. Muito tráfego e pouca compra sugere problema na qualidade do tráfego ou na conversão; muitas instalações e pouca ativação apontam para aquisição desalinhada ou onboarding; boa primeira compra e pouca segunda compra indicam retenção ou ciclo de recompra.


Como identificar o gargalo antes de decidir o investimento?


Comece verificando a qualidade da mensuração e separando os resultados por canal, segmento e coorte, porque uma média saudável pode esconder grupos que dão prejuízo. Depois, transforme o gargalo em hipótese, teste uma intervenção com uma métrica de sucesso e compare o resultado com um grupo equivalente que não a recebeu, quando viável.


Onde o time de growth deve ficar no organograma?


O lugar no organograma importa menos do que as alavancas que o time consegue mover. Growth funciona quando há uma meta de negócio compartilhada, prioridades claras e responsáveis com capacidade de executar mudanças em mídia, produto, CRM, dados e tecnologia.


Na Caaqui, esse olhar de Growth orienta como conectamos estratégia e execução. Trabalhamos com mensuração, Dados & Analytics, CRM, Martech e App Growth para entender onde a jornada perde eficiência e atuar sobre os gargalos. Isso pode significar estruturar dados para avaliar a qualidade da aquisição, integrar ferramentas para conectar comportamentos e comunicações ou desenvolver jornadas de ativação, retenção e recompra. O ponto de partida é o problema do negócio; a tecnologia e os serviços entram para resolvê-lo, com impacto mensurável em conversão, valor do cliente e eficiência do investimento.

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